Teve início na manhã desta quinta-feira (9), na APAE-Pirapora, a capacitação sobre Escuta Especializada, com foco no atendimento a pessoas com deficiência não verbal. O treinamento, que se estende até o dia 10, ocorre das 7h às 11h e reúne dois profissionais de cada unidade da rede municipal de ensino.
A capacitação foi conduzida por Leonardo Prates, assistente social, especialista em Gestão de Políticas Públicas e membro do Comitê de Proteção da Criança e do Adolescente. Durante sua fala, Prates resgatou o histórico de conquistas do setor, destacando a mobilização social dos anos 80 que culminou na Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança (1989) e na criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), marcos fundamentais para a proteção infantojuvenil no Brasil.
“O ECA reconhece que crianças e adolescentes estão em fase de desenvolvimento, e portanto necessitam de proteção integral e prioridade absoluta”, explicou o assistente social.
A palestra contemplou o Sistema de Garantia de Direitos com foco em três eixos: a eficácia das políticas públicas (promoção), a participação da comunidade, conselhos e órgãos legitimados (controle social), a responsabilidade e o fortalecimento das instâncias de proteção (defesa) do público infantojuvenil.
“Para proteger crianças e adolescentes em situação de violência, foi criada em 2017 a escuta especializada, conhecida como: Lei da Escuta Protegida, que visa evitar que crianças e adolescentes precisem relatar a violência sofrida múltiplas vezes, protegendo-os de traumas adicionais (revitimização)”, explicou Prates.
Relatos de violência contra crianças são intoleráveis e exigem repúdio imediato. É mandatório reconhecer que qualquer indivíduo que submeta um menor a abusos físicos ou sexuais porta uma patologia mental grave e é, acima de tudo, um criminoso. Não aceite justificativas: a proteção da integridade infantil é um dever absoluto, e a punição aos transgressores deve ser aplicada com o máximo rigor da lei.
A assistente social, pedagoga e socióloga Tallita Bastos apresentou uma imersão sobre a escuta especializada, explorando as nuances e os impactos da comunicação não verbal. “Escutar uma criança não verbal, não é esperar palavras, é reconhecer que toda forma de expressão comunica”, explicou Tallita.
O encontro contou com a participação de Shirley Lebron, pela APAE, e de Andreia Dias, representando a Secretaria de Educação de Pirapora via Serviço de Apoio à Inclusão e Educação Especial. Além delas, profissionais de diversas áreas e localidades, incluindo psicopedagogos, professores de apoio, assistentes sociais, psicólogos e gestores escolares, marcaram presença para fortalecer o debate sobre a inclusão na região.