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Consciência Negra: uma história de resistência

Publicado por: Migração do Site


Com o objetivo de promover o diálogo, refletir sobre as relações étnicos-raciais, as nossas ações diante das atitudes de desrespeito com os afro-descendentes que forma a maioria da população brasileira, foi realizado nesta manhã, 20 de novembro, no Instituto Federal do Norte de Minas – IFNMG, o evento; “Consciência Negra: os desafios contra o retrocesso”.

O encontro foi realizado pelo Conselho Regional de Psicologia em parceria com a Semed, por meio da Escola Municipal Maria Coeli Ribas. Na abertura, os alunos fizeram uma apresentação artística.

“Somos múltiplos, somos plurais de muitas culturas e temos que ter consciência da nossa identidade, da nossa essência, da nossa herança cultural. A desigualdade social está comprovada nos números, e quem mais sofre são os negros: 75% das vítimas de homicídio no Brasil são negros, a maioria das pessoas em vulnerabilidade são negras, o feminicídio de negras aumentou, os jovens negros são a maioria das vítimas. Temos baixa representatividade no cinema e na literatura. É preciso acabar com o genocídio da população negra no Brasil. A população negra e a indígena, desde o início, foram muito combatidas e deixadas de lado entre os segmentos da sociedade”, explanou a historiadora, Larissa Ramos dos Santos.

“Somos lindos, temos uma voz, temos que ter orgulho de ser quem somos, orgulho do nosso cabelo. É necessário desmistificar certos tabus; não descendemos de escravos, descendemos de povos que foram escravizados. A luta contra o racismo está cada dia mais forte, pois estamos vivendo sob o manto do conservadorismo. Não é só uma questão de exclusão, existe um racismo estrutural, assistimos a uma necropolítica do extermínio da população da favela. A democracia real é uma ilusão, porque as pessoas ainda não tem liberdade de serem o que elas são e o que querem ser. Falta informação, falta formação de diversos profissionais que ainda estão despreparados para lidar com questões étnicas-raciais”, Woochiton Ramos, co-fundador do grupo de pesquisa Coletivo Negro MG.

“Este é um momento de reflexão e valorização da cultura Africana, comemora-se hoje, o Dia da Consciência Negra. É importante esse espaço na educação, pois é por meio da educação que acontece a transformação da sociedade. A educação salva vidas e proporciona o conhecimento da história real desse país. As cotas são ferramentas necessárias, hoje o acesso a universidade e amanhã uma oportunidade no mercado de trabalho. É necessário que a gente conheça as nossas diferenças e que elas não signifiquem desigualdades. A cada cem pessoas assassinadas 71 são negras, negros são a maioria no presídio. O que está acontecendo? A escravidão foi abolida e não foram criadas políticas públicas que gerassem oportunidade para essas pessoas, elas ficaram ao léu e até hoje os negros enfrentam muitos desafios. O racismo no Brasil é legitimado quando temos no poder pessoas que agem dessa forma”, destacou Sheila Gonçalves, psicóloga e analista social do programa mediação de conflitos da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.

“A instituição escolar é um espaço de possibilidades para vencer questões do racismo estrutural, para que possamos garantir medidas reparativas, pois esse é o trabalho da psicologia, que se ocupa do sofrimento humano e da garantia inegociável dos Direitos Humanos”, afirmou o conselheiro regional de psicologia de Minas e psicólogo escolar de Pirapora, Luiz Henrique.

“O sistema de cotas foi um grande avanço nos últimos tempos. É importante saber que temos uma comissão étnico-racial para dar esse suporte na nossa região, enfatizou a jornalista Larissa Rocha, do pré-vestibular Revolucionando Pensamentos.

“Eu sinto que ainda falta em algumas escolas conhecimento e abertura necessária para esse tipo de diálogo”, lembrou a estudante Maria Flor.

Participaram do evento, além dos citados, o Secretário de Educação de Pirapora, Rodrigo Barbosa, a diretora do Instituto Federal do Norte de Minas, Joaquina Nobre, a diretora da Escola Maria Coeli Ribas, Cristiane Cruz e o conselheiro regional de psicologia, Ted Nobre Evangelista.

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