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Devido a condição médica, aluna da rede municipal tem uma professora que atende em casa 12/07/2018 14:46

Escola em casa

Educação e afeto por meio de atendimento domiciliar

Autor(a): Larissa Rocha Foto: Ascom

É com entusiasmo e dedicação que a pequena Vitoria Oliveira Araújo dos Santos (11) recebe sua professora Adriana Aline Barbosa para as aulas diárias em domicilio. É na sala de casa que ela recebe o atendimento pedagógico adaptado às suas condições de saúde. Pois, desde 2015, Vitória sofre com o agravamento da dermatomiosite (doença repentina, inflamatória e crônica que afeta a musculatura estriada, a pele e outros órgãos).

Com a família, ela morava em Betim e retornaram para Pirapora buscando melhor qualidade de vida, um tratamento de saúde digno e o apoio familiar. “Além de fugir do aluguel, o ritmo de uma cidade menor e companhia dos meus pais, avós de Vitória, favorecem um acompanhamento melhor da condição de saúde dela”, explica a mãe Maria Isabel Ribeiro.

A mãe relata que, em Pirapora, foi acolhida com muita atenção: “Na saúde todos fizeram muito esforço para melhorar as condições da Vitória. No início, ela ficou 12 dias internada no hospital e logo vimos resultado no tratamento, pois as feridas na pele melhoraram. Além do atendimento em saúde, logo procurei a escola para fazer a matrícula e explicar a situação da minha filha. A diretora e a equipe da Secretaria de Educação se empenharam muito para resolver o atendimento escolar dela. Sou muito grata a todos que nos receberam aqui na cidade”.

 

Atendimento

A professora Adriana conta, com carinho, como tem sido proveitosas as aulas da Vitória: “Ela é uma menina muito dedicada e interessada. Gosta muito de ler e faz as atividades com afinco. Todo o planejamento pedagógico realizado com a turma é trazido para ela com adaptações à rotina de estudos que é possível cumprir, devido a suas dificuldades físicas causadas pela doença. É uma responsabilidade muito grande fazer com que ela tenha o mesmo acesso e oportunidade dos alunos que estão na sala de aula. Mas, me sinto privilegiada por proporcionar esse atendimento a ela”.

A superintendente de apoio à Inclusão da SEMED, Raquel de Souza Batista de Queiroz, relata que, ao receber a demanda, o setor se empenhou muito para encontrar uma solução: “A secretária Mara Bianca prontamente nos auxiliou a resolver o caso. Buscamos na legislação as possibilidades para atender a Vitória. Na escola temos uma diretora igualmente empenhada. Foi bom também que a mesma professora da turma onde a estudante seria inserida pode atender Vitória em sua casa, no período da tarde”.

“Logo no ato da matrícula, Isabel nos relatou como era importante os estudos para Vitória. A família e a estudante querem manter o ritmo de formação dela, até onde a saúde permite. Quando a conheci, a primeira coisa que ela me disse foi: ‘Quero ir para escola’. Por isso nos empenhamos tanto em trazer a escola até ela. Temos o cuidado de cumprir com as atribuições pedagógicas e também os cuidados que vão além. Até a merenda e as atividades comemorativas nós trazemos para ela e a família, pois é muito importante para o processo educativo”, relata a diretora Lilian Gomes de Oliveira Costa, da Escola Municipal Rui Barbosa.

“O acesso à educação é um direito de toda criança, por isso desenvolvemos diferentes projetos para atender a necessidade de cada um. Poder proporcionar o Atendimento Pedagógico Domiciliar (APD) para a Vitória é um marco para nosso município. Não poderíamos deixar uma criança com desenvolvimento escolar tão bom sofrer defasagem pelas limitações físicas causadas pelo tratamento”, reafirma a secretária Municipal de Educação, Mara Bianca Santos Lopes Cardoso.

 

Entenda a dermatomiosite

Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a dermatomiosite, também conhecida como dermatopolimiosite, é uma doença crônica que se caracteriza por um processo inflamatório da pele e dos músculos. Eventualmente as debilidades pode ocorrer só nos músculos (polimiosite, mais frequente em adultos que em crianças), e mais raramente, apenas com manifestações na pele (dermatomiosite amiopática). Chamamos de dermatomiosite juvenil quando a doença tem início antes dos 16 anos de idade e é rara, pois tende a aparecer mais na fase adulta.